segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Valor do voto: R$ 7,10

Folha de SP - 19/09/2006
Gustavo Ioschpe
O MAIS DESALENTADOR dessa campanha é que somos tratados como idiotas, e nós damos razão a eles, votando nos que nos desprezam.
Dia desses assisti ao horário eleitoral e lá havia um candidato a deputado estadual de SP chamado Papai Noel, que aparecia no vídeo vestido de Papai Noel. Como diria o saudoso Bussunda, fala sério! Nas campanhas majoritárias também impera o escárnio. Para o governo do Estado, nos deparamos agora com uma sordidez típica da quadrilha que tomou esse país de assalto: o PT pagou quase R$ 2 milhões para comprar um dossiê vagabundo de um vendedor que é corrupto confesso para incriminar José Serra, líder nas pesquisas. É mais uma reputação que se tenta enlamear. A PF agora declara que vai investigar o próprio Serra por ter aparecido em fotos entregando ambulâncias quando era ministro da Saúde.
Ato contínuo, a CPI dos Sanguessugas vai investigar sua gestão no ministério. Tudo isso, coincidentemente, em véspera de eleição. Fala sério! O que precisa ser investigado é de onde saiu esse dinheiro. Veio do cofre do PT? Ou quem sabe mais uma vez temos recursos de estatais sendo usados para comprar resultados políticos? Mas o maior show de horror coube ao presidente Lula em sua entrevista publicada ontem. Nela só faltou o presidente expor quanto ele acha que custa cada voto, por classe social. Lula disse: "A única frustração que eu tenho [nota minha: a única?!? Com tanta podridão?!] é que os ricos não estejam votando [sic] em mim. Porque eles ganharam dinheiro como ninguém no meu governo". Ué, mas não era esse um governo popular? E quer dizer também que o voto se explica apenas por quanto dinheiro cada grupo recebeu? Sim, é isso mesmo. Mais à frente, o mandatário inclusive especifica quanto custa o voto dos pobres: R$ 7,10. Lula com a palavra: "Uma dona de casa paga R$ 5,90 pelo arroz Tio João e em 2003 ela pagava R$ 13. Vai falar de mim para essa mulher..."
Por R$ 7,10 de diferença no preço do arroz, Lula acredita estar blindado com "essa mulher", tendo então licença para pintar e bordar. Sintomaticamente, na mesma página em que essa declaração de morte à democracia é proferida, "nosso guia" aparece em foto pedindo voto para... Jader Barbalho!
Completou o destampatório com chave de ouro ao negar ter desejo de fechar o Congresso: "Mas o Congresso já está fechado. Ele não funciona, ele se autofecha [sic]." Ora, se não funciona e "se autofecha" ou, quando funciona, se dá tanto trabalho pagar mensalidade para tanto deputado o corolário óbvio é que seria um favor à pátria que esse sumidouro de recursos e vergonha nacional fosse fechado, não é?
Desde que o preço do arroz continue baixo, o presidente tem convicção de que as donas de casa do Brasil o apoiariam. Se pelo menos os malditos ricos parassem de comer risoto e se rendessem ao arroz...


GUSTAVO IOSCHPE é mestre em desenvolvimento econômico pela Universidade Yale (EUA)

sexta-feira, 25 de agosto de 2006

Mentira gratuita



Por Viveca Santana
O assunto do momento é a Política e a vergonha que muitos brasileiros têm hoje, em dizer que não tem um candidato para eleger em Outubro.
Outro dia vi uma campanha que a MTV está divulgando, que trata disso e um comentário no Jornal Folha de SP sobre a liberdade de expressão neste aspecto. A descrença é generalizada - há candidatos que lembram personagens de um circo, com idéias mirabolantes e atuações patéticas. E a liberdade parece que já era - que diga o Alexandre Garcia, demitido* por opinar e expor suas idéias, também de graça, na TV em um Jornal típico do café da manhã dos ditos formadores de opinião.
O que se ouve no horário gratuito são promessas que infelizmente a maioria dos brasileiros nem acreditam mais e são obrigados a escutar - indico aos leitores do blog a assistirem à programação eleitoral sem áudio, atentando para o lettering e para a atuação dos candidatos: o texto é o mesmo sempre. As promessas inconsistentes e esdrúxulas. A vontade de enganar é igual a da eleição anterior. E acreditam que os eleitores são bobos, palhaços do circo de lona verde e amarela que perdem a memória de 4 em 4 anos.

Indico: http://www.youtube.com/watch?v=Sa4UfYbH194

* É a informação que rola na net. Quem souber novidades sobre o caso, comments por favor.

terça-feira, 15 de agosto de 2006

Convescotes

Lista de showzinhos programados para este ano:

Art Brut (Motomix Art Music, SP – 16/09)
Beastie Boys (TIM Festival, 26 a 29/10)
Clap Your Hands Say Yeah * (TIM Festival, 26 a 29/10)
Cardigans (Campari Rock: SP – 06/09; Florianópolis - 08/09; BH – 09/09)
CocoRosie (The Week, São Paulo, 30/08 e 31/08*; No Ar Coquetel Molotov, Recife, dia 01/09; Circo Voador, Rio, 02/09)
Daft Punk (TIM Festival, 26 a 29/10)
Devendra Banhart (TIM Festival, 26 a 29/10)
Franz Ferdinand (Fundição Progresso, Rio – 14/09; Motomix Art Music, SP – 16/09)
Gang Of Four (Campari Rock: SP – 06/09; Florianópolis - 08/09; BH – 09/09)
Gogol Bordello* (TIM Festival, 26 a 29/10)
Goldfrapp* (TIM Festival, 26 a 29/10)
Ladytron (Nokia Trends, 1/9, DJ set, D-Edge, São Paulo)
New Order (Brasília 04/11; Estádio Mineirão, BH - 11/11; Via Funchal, SP – 13 e 14/11; Armazém, Rio – 16/11)
NOFX (Claro Hall, RJ, 29/9; Espaço Barigui, Curitiba, 30/09; Credicard Hall, SP, 1/10; e Pepsi Stage, Porto Alegre, 3/10)
Patti Smith (TIM Festival, 26 a 29/10)
Peter Hook, do New Order, DJ set (Motomix Art Music, SP – 16/09)
Radio 4 (Motomix Art Music, SP – 16/09)
Rubin Steiner (No Ar Coquetel Molotov, Recife, dia 2/9)
Robbie Williams (Estádio do Flamengo, Rio – 18/10)
Spleen (abertura CocoRosie, The Week, SP, 30/08; No Ar Coquetel Molotov, Recife)
The Ataris (Credicard Hall, SP, 08/09; Claro Hall, Rio, 09/09; Espaço Callas, Curitiba, 10/09; Bar Opiniao, POA, 12/09)
Tortoise(Circo Voador, Rio - 01/09; No Ar Coquetel Molotov, Recife - 02/09; Sesc Santana, SP - 05 e 06/09)
Underworld (clube Indústria, SP - 14/11; Creamfields, Rio 18/11)
Yeah Yeah Yeahs (TIM Festival, 26 a 29/10)

(*) Não confirmado

Fonte: http://lucioribeiro.blig.ig.com.br/ (que indico: é muito bom)

sexta-feira, 11 de agosto de 2006

O pão e o Circo

Engraçado como em época de eleições os candidatos ficam loucos para apertar uma mão.
Todos muito sorridentes, afáveis e amigos do povo. E o mais engraçado é que o povo acredita. E vota.

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

Revista argentina de humor critica "correção política" na AL

Na entrada da revista satírica Barcelona você dá de cara com um teste de múltipla escolha. Ali, uma pergunta: "Como você acha que que vai terminar o conflito no Oriente Médio?".Entre as alternativas: "Israel ganhará e obrigará o mundo inteiro a comer matzá por toda a vida"; "O Hizbollah vai ganhar e decidirá que a Terra Santa se espalhará até a Argentina, onde colocarão Menem de volta na Presidência", ou, ainda, "todo o Oriente Médio será destruído pelos Estados Unidos".Assuntos políticos explosivos, temas religiosos ultra-delicados, um sem-número de costumes da sociedade argentina e os maus hábitos e cacoetes da imprensa local são os temas pelos quais deitam e rolam (de rir) os jornalistas que fazem esse periódico quinzenal, independente e que vende cerca de 13.500 exemplares por edição desde a sua fundação, em 2003.
Há quem acuse a revista de fazer uso oportunista do politicamente incorreto para causar sensação numa sociedade que hoje é conservadora no que diz respeito à imprensa. O diretor da publicação se defende: "A incorreção política não nos interessa, pois trata-se de provocação gratuita. Gostamos, sim, de fazer o que politicamente nos parece, justamente, que é correto. O que se conhece por "correção política" mesmo, na maioria dos casos, me parece uma imbecilidade", disse Pablo Marchetti à Folha.
Seu título evoca a cidade dos sonhos de muitos imigrantes que fogem das ciclotímicas crises argentinas e sonham com o glamour e os empregos de uma cidade cosmopolita em que podem se virar e sobreviver sem ter de aprender uma outra língua. Já o subtítulo, "una solución europea para los problemas de los argentinos" reforça o não menos ridículo --ainda que pensado para ser sério-- subtítulo do jornal "Clarín", "un toque de atención para la solución argentina de los problemas argentinos".
Na edição de nº 87, que se encontra agora nas bancas, está uma notícia sobre Kirchner negando que pretenda adotar mais políticas nacionalizantes.
A ilustração? Uma fotomontagem de manifestação na extinta União Soviética com a multidão carregando placas de Marx, Lênin e... do próprio Kirchner. Em outra edição recente, a publicação questionou o "mito" que se criou do futebol argentino como uma potência, colocando em dúvida os dois mundiais conquistados pela seleção (um teria sido "roubado", com uma mãozinha dos militares, o outro, com o gol de mão de Diego Maradona).
Da política do governo com relação aos imigrantes ("seria legalizado o porte de escravos bolivianos para consumo pessoal") à ambição dos argentinos em "emplacar" um papa nacional ("Bergoglio [o papável deles]: "é muito difícil competir com um nazista alemão'"), poucos assuntos nacionais e internacionais relevantes ficam de fora da pauta da revista.Para mascote da Copa da África do Sul, em 2010, sugeriram o mascote "Esclavito", um menino negro com um osso na cabeça e grilhões nos pés. Mas a idéia, dizem eles, é apenas satirizar a histeria coletiva em torno dos mundiais e o que eles representam como grandes negócios publicitários.As provocações fizeram a "Barcelona" multiplicar seus meios de ação.
Além de participarem de programas de TV e rádio, os jornalistas acabam de lançar "Puto El Que Lee - Diccionário Argentino de Insultos, Injúrias e Impropérios" (ed. Barcelona, 2006). Marchetti justifica a publicação contando que muitos dos termos que os argentinos usam no dia-a-dia não estão escritos em lugar nenhum. "Nesse sentido, o dicionário serve também como um trabalho lingüístico que dá conta da maneira como falamos neste determinado momento da história argentina."
Folha de SP - 31/07/2006
www.revistabarcelona.com.ar
*Política também é diversão, que digam os Sanguessugas.

sexta-feira, 21 de julho de 2006

Um Cabernet Sauvignon, por favor.


Por Viveca Santana

Hoje não vou escrever sobre rock. Tenho sido bem déspota, falado apenas de coisas que eu gosto, que eu ouço, que gostaria que todos tivessem a oportunidade de conhecer - admito.
Terei o meu dia de menina chic, clássica, caracterizada de bolsinha Louis Vuitton a tiracolo e scarpin - afinal todos temos um segredo escondido e ainda não consegui ser democrática, me perdoem.
Aos apaixonados por filmes antigos que são o retrato do romantismo que já não vemos faz tempo, do tempo em que se ía ao cinema de mãos dadas com o namoradinho comportado e das vozes lindas, das divas inalcansáveis do Jazz, e dos discos de Vinil, apresento-lhes a minha paixão, Nina Simone.
Claro que alguns já conhecem essa senhora, talvez em audições obrigatórias de algum pai, que no Domingo obrigou toda a família a ouvir todos os discos empoeirados que tinha em casa, da Nina, do Ray Coniff e sua orquestra ("parararará..."), do Roberto Carlos e do Raul ( ou por ter uma gosto legal, saudosista mesmo).
Nina é uma das cantoras mais representativas do Soul e do Folk americano - alguns acreditam que seja até uma das divas nascidas em solo alagado de New Orleans mas, hã-hã, a dona é da Carolina do Norte um dos berços Jazzistas (ops, ela odiava que a considerassem uma cantora de Jazz, achava coisa de branco - a dona era ativista das boas).
Para os que amam solos de piano é um prato cheio e gostoso de ouvir tomando um bom vinho. Tá. na primeira vez que você ouvir pode até pensar que trata-se de uma cantora Gospel/Mórmon pela sua voz forte, intensa e extremada mas, com certeza após ouvir " My baby just cares for me" e "I put spell on you" ( que inspirou até o "tralalá" lindo dos Beatles em "Michelle"), ou uma das suas interpretações de baladas francesas, muda de idéia ( se você tiver 10% de romantismo, pelo menos, correndo nas veias).
Há até quem tente dar uma imitada atualmente, tocando piano e cantando - bem difícil comparar.
Dedico:
- Don't Smoke In Bed (aos fumantes)
- I Put a Spell on You (às possessivas)
- Just Like A Woman (às emotivas mulheres)
- Lilac Wine (aos enólogos)
- Mississippi Goddam (aos ativistas)
- My Baby Just Cares for Me (aos que não sabem dançar, mas tentam)
- Ne Me Quitte Pas (às Anitas e ninfetas)
- I Love To Love ( aos iludidos)
- My way (aos esperançosos)

sexta-feira, 16 de junho de 2006

"Franz Ferdinand é escalado para 4ª edição do Motomix"



Folha de SP - 15/06/2006
LÚCIO RIBEIRO
Colaboração para a Folha de S.Paulo
"Agora é "para valer". Cerca de sete meses depois de vir ao Brasil na carona da turnê do U2, a badalada banda escocesa Franz Ferdinand volta a São Paulo em setembro para uma apresentação "de verdade". O grupo do dândi Alex Kapranos é a principal atração do Motomix Art Music 2006, festival multimídia bancado pela empresa de celulares Motorola.
O "para valer" e "de verdade" são aspas vindas da banda.
O show do Franz Ferdinand está marcado para acontecer no dia 16 de setembro, no Espaço das Américas, local que contará com dois palcos para as apresentações do Motomix. A vinda do FF ao Brasil ainda não foi divulgada oficialmente pela organização do evento.A banda ainda deve fazer um concerto no Rio de Janeiro, em lugar ainda a ser definido (Claro Hall ou Fundição Progresso), fora do Motomix. O Rio, assim, receberia o segundo show solo do Franz Ferdinand no ano.
Em fevereiro, o quarteto britânico que faz rock para dançar veio pela primeira vez ao Brasil como convidado de Bono para abrir as duas apresentações do U2 no Morumbi. Kapranos e amigos de banda fizeram shows de pouco mais de meia hora, com som baixo e para uma platéia quase totalmente desinteressada neles, com foco total na atração principal de 30 anos de estrada, não em uma banda indie de três.
Na mesma viagem, o FF aproveitou uma brecha na agenda e conseguiu fazer um show solo no Circo Voador, no Rio de Janeiro, agora sim para uma platéia ganha e com som bom. Tocaram por uma hora e meia.
O Motomix, festival que sempre teve uma tendência mais eletrônica, deve anunciar pelo menos mais uma banda de rock para a edição deste ano, que acontece de 13 a 16 de setembro.O roqueiro Peter Hook, do New Order, no papel de DJ, é uma das atrações do Motomix. A cantora norueguesa Annie, o DJ e produtor Andrew Weatherall (conhecido pelos trabalhos com o Primal Scream), o duo americano Adult e os alemães do Isolée também estão escalados."
* Lúcio Ribeiro é um dos grandes nomes do jornalismo brasileiro de cultura pop, é colunista da do Jornal Folha de S. Paulo e é um dos ídolos para quem tenta ou escreve sobre música.