Por Viveca Santana
Passos cheios de gratidão, de uma valentia inconsciente, largos e livres atravessam o inesperado. Cabelos agora sem medo de chuva, coração pulsando forte e desatento, tudo impregnado de uma insegurança que lembra os primeiros passos da infância, o primeiro passeio de bicicleta.
O frio que antes amedrontava, agora aquece a vontade de sentir-se em casa.
Cresce uma gratidão pela companhia de si mesma, pela sua simpatia, pelo riso solto, pelo perdão das coisas de antes, pela vontade de ir, ir simplesmente, com ganas de desatar os nós que a vida de antes impunha.
Ganas de se entregar a si e seguir, enfrentando pedras, quedas, perdas. Seus passos agora são mais valentes, apaixonados e felizmente agora, solitários.
As lágrimas secaram, os demônios seguiram de férias para um lugar com sol e o que segura a sua mão e aperta com força é a ânsia de caminhar sem rumo, deitar no fim do dia com o corpo abraçado pelas dores da caminhada e da deliciosa incerteza, de seguir e não pensar no amanhã, por enquanto.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
terça-feira, 9 de novembro de 2010
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
El pozo
"Velo ao longo das noites por aquele que me roubou o sono.
Construo as paredes daquele que derrubou as minhas.
Passo a vida colhendo espinhos e semeando flores.
Choro por beijar aquele que não me conhece mais."
Construo as paredes daquele que derrubou as minhas.
Passo a vida colhendo espinhos e semeando flores.
Choro por beijar aquele que não me conhece mais."
terça-feira, 12 de outubro de 2010
sábado, 25 de setembro de 2010
Então deixa eu dormir
Por Viveca Santana
Na tentativa de viver intensamente, respirar como nunca respirou antes, apoiava as andanças distraídas de seus sonhos, não mais em caminhos através das nuvens, nem nos desejos que vão se perdendo aqui e ali e se conectam com as coisas pequenas do dia a dia, fortalecidos pelo poço fundo do cansaço.
Naquelas tentativas, começava um condicionamento seu, distante dos remédios escravizantes pra dormir e tornava o ato de deitar, cerrar os olhos, preparar o corpo pro sono, um universo só seu, cheio de coisas pra fazer, sem imposições e preconceitos.
O movimento por dentro das cobertas agora assemelhava-se a se acomodar próximo a uma janela e ir percorrendo um caminho novo, descer numa estação desconhecida, sem medo algum, sem ninguém para esperar e sem malas pra levar.
Agora queria sentir o cheiro que vinha da janela aberta, cheiro do vento que soprava em seus cabelos, gelava seu rosto contaminando o corpo todo, ensaiando os planos de recomeço e todos os seus medos.
Seriam pouco dias de sonhos, mas seriam só seus.
Na tentativa de viver intensamente, respirar como nunca respirou antes, apoiava as andanças distraídas de seus sonhos, não mais em caminhos através das nuvens, nem nos desejos que vão se perdendo aqui e ali e se conectam com as coisas pequenas do dia a dia, fortalecidos pelo poço fundo do cansaço.
Naquelas tentativas, começava um condicionamento seu, distante dos remédios escravizantes pra dormir e tornava o ato de deitar, cerrar os olhos, preparar o corpo pro sono, um universo só seu, cheio de coisas pra fazer, sem imposições e preconceitos.
O movimento por dentro das cobertas agora assemelhava-se a se acomodar próximo a uma janela e ir percorrendo um caminho novo, descer numa estação desconhecida, sem medo algum, sem ninguém para esperar e sem malas pra levar.
Agora queria sentir o cheiro que vinha da janela aberta, cheiro do vento que soprava em seus cabelos, gelava seu rosto contaminando o corpo todo, ensaiando os planos de recomeço e todos os seus medos.
Seriam pouco dias de sonhos, mas seriam só seus.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
sexta-feira, 9 de julho de 2010
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