Terça-feira, Novembro 24, 2009

30 anos de tolerância.

Domingo, Novembro 08, 2009

Degringolou, o calor chegou.


Domingo, Outubro 25, 2009

Vazio

Por Viveca Santana


Por dentro um vazio cerrado, as cortinas entreabertas com uma cor de carne exposta. Respirando, o vazio saia em partes, abafado e com um som de assovio, saía e voltava a ser vazio lá dentro, não tinha dor, não tinha amor, não tinha nada.
O teto que olhava com as mãos sobrepostas no peito, ainda era descascado e sem a tinta que ela já devia ter providenciado faz tempo: tinha mofo e algumas formigas seguindo seu caminho infinito.
A casa era rarefeita com o ar que ela soprava todas as tardes e, suspensa naquele calor escaldante dela e do quarto, ouvia os barulhinhos de si como cigarras interrompidas.
O coração batia mais forte, a respiração empurrava o corpo tenso, afundava comprimindo a barriga magra.
O silêncio persistia, repetido, como se juntasse cacos espalhados e enchesse suas mãos, que antes só guardavam lembranças e retalhos dos outros.
Tinha que entender a desordem, endireitar os cabelos, espantar as cigarras pro sol. Andar pra longe que nem as formigas.
Pensou em como suportou a felicidade sem doer e como conseguiria arrebatar a tristeza encravada em sua pupila. A força do tempo já a empurrava depressa pros 30.

Domingo, Outubro 11, 2009

Dias de Lucy.


Sexta-feira, Outubro 09, 2009

Pensamentos de ordem patológica


Caixas de tarja preta, lenços embrulhados ao lado da cama, sonhos encarcerados, guilhotinados embaixo dos travesseiros, lembranças esgarçadas aos montes entre suspiros, vícios, rabiscos de cadernos, gosto de lágrima quando passo a ponta da língua em volta dos lábios, aquele cheiro de mofo de quem ficou dias presa em casa, mão no peito, mão no rosto, unhas desfeitas, refluxo, estômago dolorido das ressacas, o corpo moído da idade que vem cavalgando atrás de mim, eu ainda de camisola, esperando a vida passar por perto.


foto: Vinicius Xavier

Sábado, Setembro 12, 2009

Certa manhã acordei de sonhos intranquilos


Domingo, Setembro 06, 2009

A dor

Por Viveca Santana

Era só mais uma dor, para calejar a sua pele pálida e tornar ela mais dura e fria do que já era.
Era mais um alfinete, destes de pontas coloridas, que atravessavam suas costas, do lado do peito, um pouco dos olhos, que ainda lacrimejavam um pouco, mas eram bem menos que antes.
Ela já sabia.
Acostumou-se com a dor que vinha sempre assim, homeopática, devagar, mas vinha em algum momento do dia, do mês ou do ano.
Muitas vezes nem esperava mais, ela viria mesmo que não quisesse - arrasadora, inerte e dolorida.
Haviam os momentos que achou que havia se livrado dos alfinetes, das palpitações, da boca seca e da falta de ar, mas a dor sempre surgia nos momentos mais inoportunos, levando ela pelos pulsos cheios de hematomas, segurando com um pouco de bondade, ela sempre disponível. Aceitava as pedras duras, que tentava arrastar com os pés descalços, para algum lugar: não haviam remédios, flores, doces ou afagos que afastassem os encontros dela com a dor, porque a dor ainda se divertia com o sorriso e a fraqueza dela.
Mesmo machucada de corpo inteiro, sabia que qualquer dia não sentiria mais nada, as feridas iriam cicatrizar e a dor cansada da rotina e das pedras que ela cansava de carregar pro mesmo lugar, não viria mais.